Baixa renda adere ao seguro

Brasileiros das classes C, D e E começam a consumir produtos contra acidentes e morte.Tendência acompanha redução de custos


Está enganado quem pensa que seguro é caro, feito para quem tem dinheiro ou muito patrimônio a proteger. Mesmo sem contar com a regulamentação do microsseguro - o projeto está parado na Câmara dos Deputados -, o mercado saiu na frente e passou a oferecer várias opções para as classes C, D e E. O foco é a proteção da família, no caso de morte acidental do segurado. As ofertas à disposição seguem a filosofia da proteção a baixo custo e a aceitação popular mostra que os produtos estão apropriados aos riscos das classes de menor poder aquisitivo.

O operário da construção civil Djalma de Araújo e Silva é um reflexo do movimento que vive as seguradoras.

Aos 44 anos, o pedreiro adquiriu um seguro contra acidentes pessoais. "Nunca tinha pensado em ter um e não ia procurar se não fosse mais barato. Com a mensalidade baixa, fica mais fácil de pagar", relata Silva que, até o início do mês também nunca havia aberto uma conta bancária.

O pedreiro mora em Ceilândia (cidade satélite de Brasília) com a esposa e três filhos e contou que a preocupação em amparar a família, mesmo após a morte, foi o que mais pesou na contratação do serviço.

"É claro que é algo que a gente não quer usar, mas se acontecer alguma coisa, esse dinheiro ajuda aqueles que ficam." A expansão da oferta, principalmente no que diz respeito ao seguro de vida, acompanhou a mudança do perfil de aceitação desse tipo de produto. Em 1994, por exemplo, 40% da população não comprava nenhum tipo porque achava simplesmente que não precisava de proteção.

Outros 36% também descartavam o serviço porque acreditavam que o produto era caro.

Essa proporção mudou radicalmente em 2006. Segundo o diretor do Bradesco Vida e Previdência, Eugênio Velasques, apenas 5% da população não adquirem o seguro porque estão convencidos de que não precisam. Outros 23% continuam achando-o caro.

Análise

Na análise de risco da população mais pobre, o que vem em primeiro lugar é a morte, seguida pelo medo de perder o abrigo (o lar), ficar desempregado ou ser acometido por uma doença grave. Daí que o primeiro produto lançado para esse público é o seguro de vida por morte acidental como, por exemplo, por atropelamento.[2]

Mas, no campo regulatório, o projeto do microsseguro recebeu parecer pela sua inconstitucionalidade na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara - o relator defendeu que a proposta seja feita via lei complementar e não legislação ordinária.

www.segs.com.br - Fonte ou Autoria é: Diário de Pernambuco, 30/06/2010

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