Proteção para modelos velhos e luxuosos

Seguradora do Recife passou a oferecer apólice para automóveis requintados e com muitos anos de estrada. Os modelos são desprezados pela maioria das empresas, que só protegem veículos com até dez anos de uso.


Proprietária de um fusca ano 1985, a jornalista Ana Catharina de Freitas, 28 anos, bem que tentou fazer um seguro ao comprar o veículo no início deste ano. Mas teve que desistir da ideia logo depois de conhecer a realidade do mercado. Descobriu que a maioria das empresas só formaliza o contrato de proteção para automóvel com até dez anos de uso. "Me restou optar por um alarme", diz. Para condutores como Ana Catharina, que não encontram o serviço com facilidade, uma seguradora do Recife passou a oferecer a cobertura para carros antigos ou modelos de luxo - cujos donos também penam para fechar uma apólice.

"Passamos a disponibilizar esse tipo de seguro para atender motoristas que têm um modelo antigo, por questões pessoais ou mesmo como item de coleção, e para aqueles que gostam de versões de luxo e requintadas. Eles não tinham opção e acabavam deixando o automóvel na garagem", afirma Hodson Menezes, presidente da Garantia Seguros, que passou a atuar na capital pernambucana.

Segundo a Federação Nacional dos Corretores e das Empresas Corretoras de Seguro (Fenacor), o prazo de até dez anos estabelecido pela maioria das seguradoras corresponde ao tempo em que o fabricante do veículo é obrigado, por lei, a fornecer as peças. "Por isso, as empresas não acham vantajoso segurar um patrimônio sem peça de reposição", afirma o vice-presidente da entidade, Carlos Valle.

Ele argumenta que, no caso de carros antigos, o valor do conserto pode ser quase o mesmo do veículo. "Vamos supor que o preço do conserto de dois carros, modelo Gol, dos anos 2000 e 2010, que bateram de frente no mesmo muro, seja R$ 10.000. Como o mais novo custa em média R$ 40.000, o valor do reparo equivale a 25% do preço do carro. Mas em relação ao mais velho, que custa R$ 15.000, o conserto corresponde a 75% do seu valor total", exemplifica Valle, acrescentando que o condutor deve verificar o contrato e consultar um corretor antes de fechar negócio.

Para automóveis com até 25 anos de uso, as coberturas básicas da garantia e seguros apontam responsabilidade civil facultativa e danos materiais e corporais causados a terceiros. Já as adicionais cobrem danos morais, defesa penal, acidentes pessoais a passageiros e assistência 24 horas.

Entre as vantagens oferecidas na proteção para veículos de luxo estão a livre escolha de oficinas ou concessionárias, taxa de locomoção variando de 1% a 5% do valor do veículo segurado e carro reserva para terceiros sem cobertura adicional.

DICAS

Para o vice-presidente da Fenacor, o fundamental antes de assinar o contrato é procurar mais de um corretor ou bancos que prestam este tipo de serviço, pesquisar e comparar os planos oferecidos. "Peça ao corretor para fazer simulações. Verifique condições supondo, por exemplo, que o carro foi roubado e pergunte para quem ligar e onde deixar o veículo em caso de emergência", orienta Carlos Valle.

Falhas mecânicas, colisões isoladas, roubo e furto são riscos que boa parte das apólices cobrem, porém é importante esclarecer detalhes como a frequência da utilização do veículo e se a proteção engloba o serviço de assistência 24 horas.[2]

Outro ponto a ser checado é a cobertura em caso de catástrofes naturais, seja para a indenização integral quanto para reparação. Em caso de alagamentos, a Superintendência de Seguros Privados (Susep) - órgão que fiscaliza as operações do serviço, determinou, desde 2004, que planos básicos se responsabilizem também por submersão total ou parcial do veículo em água doce, inclusive se ele estiver guardado no subsolo. Quem estiver com dúvidas, pode buscar informações sobre planos e empresas no site www.susep.gov.br.

www.segs.com.br - Fonte ou Autoria é: MIDIASEG /C Q C S, 02/08/2010

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